domingo, 2 de maio de 2010

A Hora Atrasada

Uma vez,duas vezes,três vezes.Nada fez com que Arnaldo evitasse a colisão com aquele pedestre.Não devia ser muito tarde,porém o sol já não existia.O carro veio,não muito rápido,mas com velocidade o suficiente para machucar aquela pessoa que atravessava a rua.Arnaldo saiu do carro e foi constatar o que ele mesmo acabara de ter feito.Quando chegou na frente do seu carro,pôde ver que uma criança se encontrava jogada no chão.Rapidamente,pensou no que poderia ser feito.Ele conhecia um hospital ali perto,mas sabia que mexer na vítima poderia ser fatal,pois não sabia se a vítima tinha lesões na coluna ou em outras partes do corpo.
A decisão pairava no ar.Arnaldo olhou em volta e não encontrava ninguém.A bateria do seu celular havia acabado,para buscar socorro a criança ficaria ali no chão.Depois de relutar,chegou perto da criança e viu que ela ainda respirava.Pegou-a com muito cuidado e levou até o carro.Com toda a pressa,saiu o mais de pressa que pôde e foi em direção ao hospital.Chegando no destino,Arnaldo se encaminhou até a recepção e expôs a situação.A recepcionista disse que aceitava a criança,porém precisaria de um adiantamento para a cirurgia.Ele era um trabalhador,de família simples,não tinha aquele dinheiro.A atendente,então,falou que eram ordens dos médicos e que nada poderia ser feito.
Arnaldo voltou para o seu carro,olhou para a criança e observou que ela respirava com muita dificuldade.Existia um outro hospital,não muito perto,mas não restava outra opção.A toda velocidade,Arnaldo se encaminhou para o hospital seguinte.Quando chegou,olhou novamente para a criança,viu que dentro em breve ela morreria.Saiu como um trovão do carro e entrou no hospital.Explicou de novo a situação,dessa vez para o médico que se encontrava na porta.Ele não quis ouvir muita coisa,mas disse que sem adiantamento não haveria cirurgia.Arnaldo implorou,porém o médico disse que estava indo embora para casa,para que ele procurasse ajuda em um hospital público.
A porta do carro abriu com toda a força e Arnaldo encostou na criança.Ela não respirava mais.Por um momento Arnaldo ficou paralisado,não sabia o que fazer.Viu então que a criança tinha uma conta em seu bolso.O endereço era bem familiar,ele sabia aonde ficava aquela casa.Assumiu o volante novamente e levou o carro até o endereço que constava na conta do bolso da criança.
Desceu do carro,pegou a criança pelo colo e levou-a até a porta.Tocou a campainha e esperou.Quando abriram a porta,Arnaldo não pôde acreditar.A pessoa que se encontrava ali,na frente,era justamente o médico do primeiro hospital.

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